sábado, 19 de dezembro de 2009

Road Trip 1 - Extreme Turismo

Começamos a nossa grande migração. Rumo ao sul em busca de climas mais amenos e trabalhos com estabilidade. Depois de encerrar prematuramente a temporada em Natal, encaixotamos a mudança e hoje às 8 da manhã partimos de Natal.

Nossa última refeição em Natal foram os restos mortais da pizza de ontem requentados no forninho elétrico da pousada. Jantamos na Trattoria del Pescatore para comer pela última vez a pizza do Mauro. Recebemos a notícia que ele também está de partida, a vida de pizzaiolo em Natal não decolou e, assim como nós, Mauro está se preparando para novas empreitadas.

Desde que a mudança foi despachada estávamos na Pousada Avarandas de Ponta Negra, onde fiquei hospedado logo que cheguei em Natal. Carregamos o carro, Wii, Carmen, malas, alguns eletrodomésticos, minhocas. Um probleminha que tive com as minhocas logo se tornou um pequeno estorvo no carro. Uma coisa é ter drosófilas na varanda, outra é dentro do corsa. Matamos muita mosquinha a viagem toda, mas não para de aparecer mais, espero que diminua com o passar dos dias.

Eu comecei guiando e revezamos pela primeira vez em Bayeux. Seguimos até Recife e a primeira parada pra valer foi na Livraria Cultura. Comprei presente de Natal para o meu vô e para a Renata.

Depois, uma parada rápida na Casa dos Frios para comprar um tradicional bolo de rolo pro Natal.

Por fim, almoço no Sushi Yoshi, temaki de agulhão, um sashimi/sushi teishoku, fazia tanto tempo que eu não comia missoshiru e gohan, fiquei emocionado. Café pra dar uma acordada e lá vamos nós.

Decidimos seguir a recomendação do Guia 4 rodas e ir pela PE-60/AL-101 até Maceió. Pedi informação num posto e foi engraçado, o cara explicou direitinho, mas eram uns 5-10km entre cada ponto de referência que ele me passou, eu estava crente que estava perdido, ai aparecia o posto BR grandão, ou a concessionária da Volvo.

A PE-60 é pista simples, mas está bem asfaltada, tem pouco caminhão e em alguns trechos dá pra ver o mar. Deve ser legal se tivéssemos mais tempo para encostar nas praias, ao invés de só passar correndo. A paisagem é basicamente só cana. Me parece até um roubo ver tanta cana plantada e o litro do álcool no posto estar 1,90.

O cheiro é outra coisa a parte, uma mistura de melado e azedo das usinas/engenhos, quem conhece sabe do que estou falando. Além da fumaça das queimadas.

Alguns trechos tem reflorestamento e fazem pensar, se em poucos anos a terra batida vira uma pequena floresta, imagina só o que daria pra fazer. É só pisar no freio que o planeta dá um jeito de se virar. Ou quando terminarmos nosso suicídio coletivo, em poucos anos não sobra traço que estivemos aqui.

O choque foi entrar em Alagoas. Depois do Collor e dos Malta, fiquei com a impressão que AL era terra de ninguém, comandada com punho de ferro por mafiosos malvados. Pois bem, acho que é assim mesmo. Quando a PE-60 vira AL-101 tudo piora. As casas e cidades pelo caminho passam de turísticas para miseráveis, a sinalização some e o asfalto piora. Isso vai assim até Maceió.

No caminho liguei para o hotel para avisar que íamos atrasar:

Oi temos uma reserva em nome de Renata para hoje ás 18, queria avisar que vamos atrasar um pouco.

A reserva é até as 18.

Eu sei, por isso estou ligando para avisar que vamos atrasar, mas que nos chegamos ainda hoje.

A reserva é até as 18, depois disso eu tenho que liberar o quarto.

Demorou pra convencer o cara que eu ficar 24h ou 2h não fazia a menor diferença e eu ia pagar igual. Está com um concurso em Maceió e muitos hoteis estão lotados.

Maceió lembrou muito Recife, cara de cidade grande com praia. Fomos direto pro hotel Blue Mar, o estacionamento é aberto na calçada, o que me preocupa um pouco. As coisas mais importantes trouxemos pro quarto.

Saímos para jantar a pé. Caminhamos pela beira da praia e jantamos em uma barraca curiosa. Os sucos diferentes até que já vi em outros lugares, mas os sanduíches de filé ao vinho com ervas finas, queijo e mostarda; ou chutney de manga, ricota e berinjela, chamaram a atenção.

Tomamos dois sucos (maçã, abacaxi e gengibre; laranja, maracujá e gengibre) e comemos o sanduíche de filé. De volta pra pousada, escrevendo o diário de viagem e preparando para dormir. Amanhã acordamos às 6 para começar o dia 2.

Montei um mapa com os pontos principais e vou atualizando durante a viagem. Mais pra frente vou escrever com algumas fotos da viagem.


Visualizar Road Trip em um mapa maior

Sobre o título, o Extreme Turismo é que fizemos 4 Estados em um dia, RN->PB->PE->AL amanhã é AL->SE->BA. Desejem-nos sorte.

EDIT: Esqueci de comentar que chegamos no Hotel em Maceió às 19h, tirando às 2h de parada para compras, almoço e ficar perdido em Recife, foram 9 horas no volante divididas entre nós dois.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sem Tetos Novamente

Ontem a tarde despachamos nossa mudança. Vai ficar armazenada por aqui em Natal até que a gente arrume um endereço em Santa Catarina.



A primeira vez que fiquei sem teto foi em Porto Alegre. Fui para lá começar o mestrado em 2002 e morei por uns dois meses em pousadas e no sofá da sala na casa do "filho do amigo do meu pai", o Diogo, que em pouco tempo se tornou um dos meus melhores amigos (ainda é).

Depois da pós em Porto Alegre retornei pra casa da minha mãe, então não teve período de sem-teto.



A vinda pra Natal também teve um curto período de morar em pousadas, mas dessa vez a esposa que resolveu meus problemas e arrumou um apê pra gente.

Agora estamos rumando para Santa Catarina com um emprego permanente em vista, dá uma sensação de "definitivo". Mas do fundo do meu coração espero que seja a última mudança de longa distância que eu faça na vida.

Até que pra alguém que não gosta de viajar que fui bastante nômade, hora de fincar raízes e Santa Catarina parece um bom lugar pra isso.

Restaurante de responsa

Tem restaurantes nessa vida que admiramos por motivos diversos.

Gosto de restaurantes japoneses que colocam wasabi no sushi.

Gosto de lugares que não colocam pimenta como se pedissem desculpa.

Gosto de cafés onde os frequentadores parecem que trabalham em algum momento do dia.

Passamos em frente de um restaurante em pipa e admirei pela coragem.



Não comemos e pretendo nunca comer lá, mas tenho que admirar algum lugar que coloque como primeira opção do cardápio pintado na parede : Fígado acebolado.

Tem que ter muito culhão.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Borboletas

Uns tempos atrás estávamos com 3 membros da próxima geração da família no carro. Gabriel, Sophia e Giulia.

Lá pelas tantas começamos a cantarolar com as crianças e para desgosto dos outros adultos ensinei pras meninas a música da velha a fiar.

Pra quem não sabe, é uma canção popular que virou o primeiro video clipe brasileiro em 1964 (a música mesmo começa lá pelos 2:20):



Depois começamos a inventar, com outros animais, nomes de parentes e por fim a versão escatológica que as minhas priminhas ainda estão cantando.

Estava o Gabriel a nanar,
veio o coco lhe incomodar,
Coco no Gabriel, Gabriel a nanar.

Estava o coco no seu lugar,
veio o pum lhe incomodar,
pum no coco, coco no Gabriel, Gabriel a nanar.

Estava o pum no seu lugar,
veio a rolha lhe incomodar,
rolha no pum, pum no coco, coco no Gabriel, Gabriel a nanar.

Estava a rolha no seu lugar,
veio o dedo lhe incomodar,
dedo na rolha, rolha no pum, pum no coco, coco no Gabriel, Gabriel a nanar.


Minha imaginação estava acabando e pedi ajuda. A Giulia sugeriu um anel (anel, dedo, tem algo a ver). A Sophia falou borboleta.

"Borboleta Sophia? Que que tem a ver borboleta?"

"Eu gosto de borboleta."

Vai discutir com uma lógica dessas. Bom que já estávamos chegando e a música acabou.

Mas o "Eu gosto de borboleta" virou um mote entre eu e a Renata, para ser usado em qualquer momento inapropriado.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O mundo não precisa da gente

Tenho andado cada vez mais preocupado com a vida num sentido geral.

Essa sensação de que o mundo está indo pro buraco não é boa. Agora que cheguei num ponto que posso parar pra pensar no futuro estou encucado com o que fazer.

Outro dia a esposa me falou uma coisa que fez pensar.

Sabe todas essas campanhas de "Salve o Planeta", "Proteja a Amazônia", "Salve as baleias"? Pois bem, é tudo mentira. Se olharmos direito, todas elas tem que ser substituídas por uma única campanha: "SALVE-NOS!".

Vamos olhar a sério: Essa ridícula noção judaico-cristã que Deus deu ao homem domínio sobre todos os animais é uma tremenda besteira. Da mesma forma a vida no planeta não precisa de nossa ajuda pra sobreviver. É claro que temos o potencial de extinguir quase a totalidade das espécies da Terra, nos removendo no processo. Entretanto, vida vai continuar existindo.

Caramba, conhecemos diversos organismos que vivem em condições extremas. Quem sabe ao sairmos do caminho algumas dessas espécies vão ser capazes de ocupar nichos ecológicos novos, novos isolamentos geográficos, pressões seletivas, variação, seleção, evolução.

Tudo o que se propõe, todas essas tentativas ecológicas, são para mantermos um mundo em que a gente possa viver, vida vai existir com ou sem esse macaquinho pelado egocêntrico chamado Homo sapiens.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

I am a paleontologist

Comentei por aqui sobre o They Might be Giants e o seu novo CD/Projeto "Here comes science".

Achei umas (ou várias) cifras deles num wiki não-oficial e estava praticando uma das músicas.

sábado, 21 de novembro de 2009

Vende-se

Depois do ficar impressionado pelo Progresso nas estradas do RN, outro ônibus me impressionou pela coragem.

Esse incrível exemplo do ponto que chegou a comercialização da fé, não basta mais vender terrenos no céu, agora vão direto ao JC.



Além de tudo esse é esperto, está tentando retirar os atravessadores (padres, pastores) e vender ele diretamente, deve rolar um descontinho bacana e ele lucra mais.

Então não esqueçam, se alguém quiser comprar Jesus, esse cara tá vendendo, é só ligar.