terça-feira, 2 de junho de 2009

Sgt Peppers

Quando decidimos vir pra Natal teve um diálogo recorrente com outras pessoas.

Pessoa: Caramba! Natal, que bom. Lá é quente.

Daniel ou Renata: Odeio calor.

Pessoa tentando remendar: Mas tem praias lindas.

Daniel ou Renata: Odeio praia.

Pessoa vendo se contorna: Pelo menos não tem a loucura de São Paulo.

Daniel ou Renata: Adoro agito.


Era uma conversa mais ou menos mal humorada assim. Para os que sofreram com a gente, desculpas, mas o motivo de virmos para Natal foi mais profissional que social.

Entretanto, trabalhamos pra viver, não vivemos pra trabalhar (a despeito do que nossos chefes parecem desejar) e não somos bocós ao ponto de chegar em um lugar pra viver e ficar o tempo todo se lamentando do que ficou para trás. Tem que tratar de conhecer os pontos bons.

Nesse sentido uma leitura obrigatória é o guia Solto na cidade com dicas culturais diversas. Hoje fomos experimentar uma sugestão do guia.

Não sei se as experiências fracas até agora pesaram para a qualificação positiva do Sgt. Peppers, mas fiquei muito feliz com o local.

Primeiro, é um bar de rock, TVs grandes passando um DVD do The Who. Ao contrário dos bares de rock que estamos acostumados o Sgt Peppers local é grande, espaçoso e arejado. Tem até uma árvore no meio do local.

Segundo, tem um bom hambúrguer, muito bom por sinal, eu gostaria mais vermelho, mas parece que o ponto aqui é bem passado. Além disso, é barato. R$9,90 para hambúrguer de 200g, provolone, muçarela, bacon e salada. O onipresente molho rose vem à parte o que rendeu muitos pontos extra. Por R$3,50 adiciona fritas, mas são fritas congeladas genéricas.

Terceiro, cerveja gelada, Original aqui parece ser cerveja exótica, então o preço é perto de R$7 mesmo.

Quarto (que talvez devesse ser primeiro), acesso de ônibus é tranquilo. A volta não é tanto, pois tem pouco ônibus circulando depois das 22h, mas culpa do transporte público de Natal que é uma bosta.

Finalmente, hoje tinha banda tocando. Couvert artístico: R$4 e o garçom passou avisando que seria cobrado, então quem quisesse fugir ainda dava tempo.

Bônus: O banheiro masculino é pintado por dentro com desenhos do Yellow Submarine, muito legal.

Achamos um lugar em Natal que é a nossa cara, preciso falar com o dono, se ele arrumar Colorado ou chop Guinness, ele será meu novo melhor amigo.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Revendo a Bíblia

Um tempo atrás teve a notícia do Livro de Judas, uma informação interessante que eu aprendi nessa época é que a bíblia em algum momento foi "montada" pela igreja católica. Aparentemente tem muito mais salmos e livros do que os que constam na versão revisada, mas uma porção "representativa" foi selecionada para formar a bíblia como conhecemos.

No meio de outras conversas surgiu então uma pergunta. Se a igreja escolheu quais livros fariam parte da bíblia, como foi que o Livro de Jó conseguiu entrar na versão final?

Convenhamos, o Livro de Jó é um tremendo tiro no pé. Deus judia até o osso do seu mais fiel seguidor por causa de uma aposta com o Diabo.

Caramba, numa só o todo poderoso conseguiu mandar ver em crueldade, traição e jogatina. Bem, méritos do livro a parte eu fico imaginando como foi a decisão.

Padre do corpo editorial (Ped): Santidade, acho que faríamos bem cortar o livro de Jó, pode confundir os fiéis.

Papa: Não cara! É legal, pra todo mundo ver como sofre quem vai contra Deus.

Ped: Mas Santidade, Jó é o servo mais fiel do Senhor.

Papa: Ele sofre pra caraaaaalho!

Ped: Então santidade, ele é fiel e só apanha.

Papa: Apanha muuuuuuuito!!! Né legal?

Ped: Santidade... olha só, fiel, respeita e só apanha.

Papa: Viu! Imagina só quem não é fiel. VIXI!

Padre desiste e o livro de Jó vai pra versão final.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Lavo, mas não cozinho.

Quando viemos para Natal estávamos decididos a não nos deixar levar pelos preconceitos.

Nada mais deprimente do que ir conhecer um lugar novo e ficar o tempo inteiro se lamentando do que deixou para trás.

Depois do desastre do fogão esse sábado eu tenho que desabafar. A parte de serviços aqui é uma merda.

Como em Natal é 220v compramos os principais eletrodomésticos novos, para ser justo e exato, não compramos, ganhamos.

A geladeira e o fogão chegaram no dia 13/5, no dia seguinte liguei a geladeira na tomada e entrei em contato com a assistência técnica da Brastemp (a única de Natal). Primeiro que me quiseram cobrar a conversão do fogão para gás de rua. Depois pediram uma tonelada de dados: nota fiscal, modelo, datas. Ai veio o golpe, "Vamos marcar para a primeira data disponível: 23/5"

CARAMBA! 10 DIAS!!! Mas tudo bem, é a única autorizada, então marca pra daqui a 10 dias.

Nesse sábado chega o técnico, olha pro fogão, pega uma etiqueta na lateral e fala: "Vou voltar lá e verificar se tem os injetores disponível".

COMO!?

"Não se preocupe, segunda feira eu confiro se tem no estoque e se tiver a gente marca pra eu vir instalar."

Dia 23 era um sábado. Segunda eu ligo para a empresa.

"Estamos fazendo ainda o fechamento de sábado, ligue depois das 10 para mais informações."

Ligo depois das 10.

"Já vou verificar se tem a peça e retorno a ligação."

Pelo menos isso foi rápido, em alguns minutos toca meu telefone.

"Senhor Daniel, não temos a peça em estoque, vamos pedir pra Brastemp e deve chegar dentro de 15-20 dias, dai marcamos a conversão."

Ai foi tudo, fiquei batendo boca com a atendente por algum tempo até que veio o golpe de misericórdia:

"Não se preocupe Seu Daniel, farei o seu pedido amanhã mesmo."

Eu desisto. Resultado, mais uns 30 dias até a instalação do fogão Brastemp aqui em casa, sendo que se no momento que eu agendei o serviço tivessem visto que não tinham a peça e encomendado pra fábrica, seriam daqui uns 5-10 dias só.

Hoje para melhorar meu ânimo chegou a máquina de lavar, ainda bem que não preciso de ajuda externa para instalar, só comprei uma torneira adequada e com a ajuda da Renata já está tudo funcionando.

Graças a incompetência do serviço da Brastemp em Natal eu lavo, mas não cozinho. Pelo menos por mais aproximadamente um mês.

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EDIT: Só pra adicionar um comentário, ante-ontem eu lavei uma porção de roupa na munheca, mas como tá chovendo horrores e eu não consegui torcer direito tava tudo cheirando à cachorro molhado. Tive que lavar tudo de novo na máquina, espero que agora seque.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Conexões

QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade


Felizmente para mim ainda tem muito o que descobrir em neurociências.

A memória muitas vezes se comporta como o poema de Drummond, um pedaço de informação pode puxar uma trilha de outras que nunca sabemos onde vai parar.

Durante um concurso me perguntaram sobre neurotransmissores que não seguem a liberação sináptica.

Ali, naquele momento de nervosismo eu só consegui me lembrar de neurotransmissores gasosos, NO e CO.

Depois da prova uma série de informações que estavam "represadas" pularam para consciência. Os neurotransmissores lipossolúveis.

Neurotransmissores que "dissolvem" em gordura passam direto pela membrana e portanto não são estocados ou liberados por vesículas sinápticas. Mas o legal é a trilha de informações que se formou na cabeça puxando essas informações, foi mais ou menos isso.

1) Lembrei de ter lido a descoberta de um ligante endógeno do receptor de canabinóides.
We're all potheads deep inside - Simplificando, nós fabricamos nossa própria maconha.

2) Isso puxou a lembrança do bolo de maconha.
Para fazer o bolo a maconha é misturada com a manteiga, como o THC (substancia ativa da maconha) é lipossolúvel ela passa para a manteiga que pode ser usada na produção de alimentos que dão barato.


Resultado:

3) GAH! Canabinóides são lipossolúveis e possuem um receptor próprio.

E foi mais ou menos isso. Queria que essa história fosse sobre como a maconha salvou minha prova, mas vai ter que ser só um comentário sobre como a memória deixa passar as coisas nos momentos mais críticos.

sábado, 23 de maio de 2009

Trabalho, trabalho, trabalho

Nunca achei que trabalho fosse relativo. O pessoal por aqui trabalha pacas, muito mais do que eu costumava trabalhar durante o doutorado.

Ainda assim é normal ver os chefes reclamando que ninguém trabalha, ou que trabalha pouco.

Ontem percebi um dos motivos dessa diferença de percepção.

Por acaso foi um dos dias que mais trabalhei por aqui, não parei o dia todo, corri atrás de cotações de preço de material, pedidos para assistências técnicas, lavar material, manutenção dos equipamentos, lava isso, guarda aquilo, conversa com suporte técnico, escreve e responde um buzilhão de e-mails.

E a verdade é que nenhum resultado foi gerado. A quantidade de trabalho necessária para a manutenção aqui é gigantesca. Por exemplo, no doutorado usávamos muito material estéril descartável, aqui tem que ser tudo lavado, separado, preparado e autoclavado, consumindo semanalmente uns bons 2-3 dias de trabalho de alguém (dividimos isso em 3 pessoas por enquanto).

Devo confessar que o meu ladinho ecológico adora reaproveitar material ao invés de usar descartável, mas no final somos cobrados por resultados e essa manutenção toda não é levada em conta.

Para uns a medida do trabalho é o tempo gasto e esforço colocado, enquanto que para outros é o produto gerado, é frustante que nem sempre (ou quase nunca) os dois correspondem.

domingo, 17 de maio de 2009

Seja Burro



As vezes o difícil é arrumar o substituto correto, para algumas coisas é fácil encontrar, levar uma sacola de pano ou ir de mochila até o supermercado é tranquilo, mas e o lixo em casa?

Hoje fui ao supermercado e encontrei isso:



Fiquei por alguns momentos pensando no que fazer. É mais caro que os sacos plásticos mais baratos, mas não é tão mais caro que algumas outras marcas. Bem, quem sabe se a gente começar a usar as coisas barateiam. Comprei. Minha idéia é ter uma lixeira maior pra esses sacos e ir recolhendo o lixo das outras lixeiras, assim não joga saco fora com pouca coisa e não deve demorar tanto pra encher. vamos ver se dá.

Primeira ceia

O fogão já foi entregue, mas conseguir agendar a instalação é outra história. Tem uma autorizada Brastemp em Natal e como a primeira conversão é gratuita tem que ser com eles.

Como eu já esperava que o fogão fosse demorar eu comprei um grill elétrico. Primeira refeição em casa: 2 sanduíches lombo defumado e queijo no pão integral.



Comi direto do grill, usando papel higiênico como guardanapo, é uma droga já que papel higiênico deixa uns fiapos.

Montar apartamento é assim, cada dia você percebe que está faltando alguma coisa. No dia seguinte comprei uns pratos, copos e talheres e minha segunda refeição foi mais arrumadinha.



O cardápio foi bem parecido, agora acompanhado de iogurte de morango. Com o prato e copo já deu pra ir comer na sala, entretanto ainda direto do chão.

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