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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Feliz aniversário Hubble

Butterfly Nebula - Credit: NASA, ESA, and the Hubble SM4 ERO Team

No dia 24 de abril de 1990 o telescópio Hubble foi posto em órbita.

Depois de um começo perturbado e algumas missões de reparo ele continua tirando as imagens mais bonitas do nosso universo.

Tem um especial sobre o Hubble no site da Nature, não sei se é aberto, mas o endereço segue abaixo:

Hubble Space Telescope 20 years

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Vencendo a Rainha de Copas

"It takes all the running you can do, to keep in the same place." - A Rainha de Copas em Alice através do espelho, de Lewis Caroll

Em biologia a hipótese evolutiva da Rainha de Copas pode ser determinada desta maneira: Para um sistema evolutivo, é preciso haver um desenvolvimento contínuo para manter a aptidão relativamente aos sistemas com o qual estão a co-evoluir.

Trocando em miúdos, uma vez que parte das pressões seletivas para evolução são outros organismos biológicos, quem para de evoluir é extinto.

No combate a parasitas uma arma importante é SEXO. Espécies que não fazem sexo não conseguem evoluir rápido o suficiente para combater parasitas. Curiosamente, o rotífero Bdelloid passou os últimos 30 milhões de anos sem fazer sexo e vai muito bem obrigado.

Um grupo pode ter desvendado como o rotífero consegue. A chave para a sobrevivência do rotífero na corrida da Rainha de Copas? Não jogar.

Normalmente se uma colônia do rotífero é infectada com o fungo predador, os rotíferos são extintos. Entretanto, o que descobriram é que o rotífero resiste à seca, ele tem mecanismos internos que permitem a anidrobiose, vida na ausência de água, podendo ser re-animado quando a água voltar.

Se conseguir ficar sem água por mais de 3 semanas o rotífero "escapa" temporalmente do predador, que não resiste tanto tempo desidratado.

Além disso o rotífero em anidrobiose é facilmente carregado pelo vento, enquanto seus predadores naturais, não. Dessa forma fugindo de predadores no espaço e no tempo quando dá.

Aqui tem um vídeo bacana que o Science Friday fez sobre a história, é em inglês:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O mal dos orientais...

Apesar da origem mestiça eu sofro do grande mal dos japoneses, isso já rendeu muita piada, mas o que quero dizer é que sou fraco para bebida. Em inglês denominam Asian Flush, referência a cor vermelha que muitos orientais adquirem ao beber álcool.

Aproximadamente 15% dos orientais tem uma mutação na enzima Álcool desidrogenase. Essa mutação faz com que a enzima funcione muito mais rápido, levando ao acúmulo de aldeído no organismo, o que é tóxico.

Como consequência muitos orientais são fracos para álcool e uns pobres coitados sofrem uma verdadeira alergia etílica. Evolutivamente faz sentido que uma mutação seja mantida quando é inócua, ou apresente alguma vantagem. Por exemplo, anemia falsiforme é uma doença terrível, mas confere uma certa resistência à malária.

Mas fica a dúvida, qual a vantagem de vomitar muito com pequenas quantidades de álcool?

Cientistas avaliaram a presença dessa mutação em chineses e encontraram uma correlação. Aparentemente os locais com maior incidência da mutação coincidem com focos de domesticação de arroz. Sinais arqueológicos também apontam para o uso do arroz para produção de álcool.

A hipótese apresentada pelos cientistas atualmente é que a mutação se manteve pois pessoas que passam muito mal com álcool tendem a manter distância dele, diminuindo a chance de tornar-se um alcolista e consequentemente descuidando da família e trabalho.

Não se sabe ainda como (ou se dá para) testar essa idéia, mas é interessante entender um pouco mais o porque que um copo de cerveja me deixa vermelho e tonto e por que raios uma característica dessa representa uma vantagem.

domingo, 1 de novembro de 2009

Pílulas de Ciência 3

Eu sempre recomendo alguns podcasts de ciências, são minha maneira de me manter atualizado nos períodos que estou menos disposto para ler as novidades.

Os que estou acompanhando no momento são: Science Friday, Science, Nature, Naked Scientist. Estava acompanhando o da Scientific American também, mas por algum motivo meu programa para baixar podcasts tem se desentendido com o site deles e faz tempo que não consigo baixar alguma coisa.

Acho que esses podcasts são uma companhia ótima para fazer alguma tarefa repetitiva que não requer muita atenção, faxinar, lavar louça, ginástica. Eu sei que são todos em inglês, mas pense nisso como uma boa oportunidade para treinar outra língua.

Vamos à ciência.

Primeiro um comentário, é inacreditável como pessoas mal intencionadas criticam os cientistas por usarem palavras como: Talvez.

As idéias em ciência evoluem, as teorias são a melhor explicação e modelo possível dada a evidência disponível. Os 'talvez', os 'pode ser', indicam a possibilidade de mudança da teoria caso evidência para tanto surja, não é sinal que está errado.

Saber que nossa visão do mundo é incompleta faz parte da ciência. Dogmas e verdades absolutas e incontestáveis fazem parte do imaginário, religiões e misticismos. Francamente eles costumam errar muito mais, só não podem admitir ou permitir que os outros percebam.


Agora minhas duas teorias alternativas favoritas do momento:

Dinossauros PODEM ter sido extintos por algas assassinas.

Júpiter pode ser o responsável pela vida na Terra - Sem relações com o mito da criação grego. Esse é do podcast de 29/10/2009 da revista Nature. Aparentemente, a água da Terra não estava aqui originalmente. Uma nova hipótese relaciona dados de fontes diversas e sugere que durante a formação do sistema solar Júpiter teria disparado asteróides de gelo pra todo lado. Os asteróides que acertaram a Terra, não só deram início aos oceanos, como romperam a crosta terrestre, iniciando a tectonia de placas e possivelmente nosso campo magnético. Todas coisas essenciais para que a vida surgisse aqui.

E pra terminar um pouco de história.

As três primeiras letras a viajarem pela Internet foram LOL (clique aqui se não entendeu a graça?).
Entrevista com um dos "Criadores da Internet", Leonard Kleinrock. Ele lembra que estavam tentando fazer dois computadores um na UCLA e outro em Stanford se comunicarem. Iniciaram o processo de login, enviaram o "L", o "O" e o computador em Stanford caiu. Depois de algumas horas de reparo, retomaram o processo e foi uma nova tentativa de login, enviando um novo "L".
Primeiras três letras da Internet (então ainda ARPANET), "LOL".

domingo, 11 de outubro de 2009

Rap Guide to Evolution

Ultimamente tem mais coisas interessantes para escrever do que tempo, mas assim que eu vi essa tive que colocar aqui.

Por causa de um problema com os feeds dos podcasts da Scientific American acabei achando esse outro podcast de ciência: The Naked Scientist.

Um dos tópicos que me chamou a atenção logo de cara é meio antigo (16 de julho), mas é fantástico. Como parte das comemorações do bicentenário de Darwin professores ingleses (não consegui entender o nome) convidaram um rapper canadense para fazer "The Rap Guide to Evolution". O MP3 está no link ai atrás se alguém quiser ouvir o show inteiro, aqui embaixo tem uma apresentação dele que achei no YouTube.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Deus ama os homens medíocres.

Deus ama os homens medíocres. Fez uma porção deles.
Abraham Lincoln

Saímos para jantar hoje, por acaso era um lugar que tinha televisão e estava no noticiário local RN TV.

Entre as notícias:

Alecrim luta para chegar a final da série D.

Velório do Monsenhor de Mossoró.


Mas a notícia que realmente mexeu comigo foi a última sobre uma árvore que chora. É uma árvore no interior do Estado que sofre acúmulo de uma coisa esbranquiçada nos galhos que vira líquido e cai. Os locais já anunciaram que a coisa branca é gelo e o líquido são lágrimas da árvore e isso tudo é um milagre. Tem gente levando galhinho da árvore pra se benzer, afinal é um milagre.

A reportagem pediu para um pesquisador da UFRN avaliasse o vídeo da árvore, mostrando a coisa branca e as gotas caindo. Não lembro da explicação exata, mas resumidamente, quando a árvore está sofrendo algum tipo de dano ela pode liberar fluído e a seiva forma aquele tipo de espuma. Além disso, nas horas mais quentes do dia essa liberação a própria respiração da árvore pode formar as gotas que caem das folhas.

O que me chocou foi a reação das pessoas:

Pra mim aquilo lá em cima é gelo. E isso é obra de Deus, pois formar gelo nesse calor.


Tudo bem, eu sou um homem da ciência e de muito pouca fé na humanidade, mas tudo que falaram na reportagem me deu a impressão que ninguém pegou um aparelho de alta precisão (tipo uma escada) e subiu na árvore pra ver se aquilo é gosma ou gelo. Isso não é química quântica, ser curioso, questionar e testar o mundo a nossa volta é a base de todo o desenvolvimento.

Odeio quando as coisas deixam de ser:

"Parece neve"

Pega escada olha de perto, passa a mão.

"Olha é ???" - onde ??? é o resultado de uma observação.


E passam a ser:

"Parece neve"

"Mas aqui é muito quente pra ter neve"

"Então é obra de Deus"

"UAU! Me dá um raminho pra curar minha unha encravada"

sábado, 26 de setembro de 2009

They Might Be Giants - Here Comes Science

Já tinha ouvido falar do CD "Here Comes Science" da banda "They Might be Giants", hoje finalmente escutei algumas músicas no podcast do SciFri.

Fiquei besta, estou vendo como comprar o CD, DVD, poster, camiseta da banda. Fã instantâneo.

Tem muita coisa no You tube,

O que achei ótimo foi que no melhor do espírito científico a banda já lançou uma nova música para corrigir uma onde eles pegaram um conceito incorreto.







Pior que eu acho a primeira versão mais legal. Mas assim como na ciência, achar uma teoria mais legal não torna ela correta (Lamarck que o diga).

Se você gostou passeie um pouco no Youtube, a música deles sobre o Paleontologista é ótima também.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Yuck Factor e o restaurante no fim do universo.

Em seu livro "O Restaurante no Fim do Universo", Douglas Adams descreve uma vaca desenvolvida geneticamente para querer ser morta e comida, o simpático animal desenvolvido para reduzir a culpa dos clientes chega ao cúmulo de sugerir quais os pedaços mais saborosos.

A Renata me indicou um texto no Sandwalk, The 'yuck factor', relata um artigo que traz um exercício de lógica com um tema parecido.

O artigo de Adam Shiver publicado na revista Neuroethics sugere a criação de animais geneticamente modificados para não sentirem dor. Dessa maneira todas as críticas quanto ao sofrimento de animais para abate seriam "anuladas".

O artigo faz essa sugestão como um exercício de lógica. Introduzir essa mudança realmente anularia as questões referentes ao sofrimento desses animais, entretanto nenhum vegetariano voltaria a comer carne por causa desse argumento. Essa jogada com uma hipótese extrema é uma maneira de se mostrar que no fundo a discussão sobre o sofrimento dos animais não é muito relevante quando estamos discutindo vegetarianismo vs onivorismo.

De qualquer forma, devemos estar longe de ver a vaca mutante de Douglas Adams em um futuro próximo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

É a LEI!!!

Uma coisa curiosa ao relembrar a física é ver a mudança na minha percepção do assunto.

Veja as duas frases:


A posição de um carro em movimento retilíneo uniformemente variado no tempo segue a equação S=S0+v0t+1/2(at²).

A equação S=S0+v0t+1/2(at²) pode ser usada para descrever o movimento de um carro em movimento retilíneo uniformemente variado.


Tem uma diferença sutil, mas que define a minha mudança de percepção.

Lembro que quando estudei física pela primeira vez, ou mais tarde na graduação ficava constantemente com a sensação de ser uma coisa artificial. Como se os físicos esperassem que as coisas se comportassem segundo suas leis e equações (1a afirmação), mas hoje vejo que as leis e equações são na verdade tiradas de exaustivas experimentações, modelos e algumas sacadas de matemágica (2a afirmação).

Muito do que a escola nos passa tomam essas proporções e dão a entender que Newton subiu uma montanha, encontrou uma sarsa ardente que entregou as tábuas contendo a mecânica clássica e "AI DA ESFERA NO VÁCUO QUE NÃO SE COMPORTAR ASSIM". Saber que o processo científico é cheio de falhas, voltas e remendos deixa tudo mais interessante. Não existem verdades e certezas, mas sim o melhor modelo disponível e podemos mudar e mexer para se adequar as nossas necessidades.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Cérebro de formiga

Um estudo publicado no Proceedings of the Royal Society: Biological Sciences em 22 de julho sugere que formigas podem executar uma tarefa de maneira mais racional que nós seres humanos.

Os autores do trabalho, Stephen Pratt e Susan Edwards, afirmam que não é uma questão de inteligência, mas que o processamento "coletivo" das formigas na hora de tomar uma decisão faz com que a decisão seja tomada de maneira mais consistente do que nosso encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor permitem.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Earr é hmuano

Estou acostumado a ver pessoas usando argumentos de autoridade para desmoralizar os outros. Ou ainda se recusando a aceitar evidências que contradizem seu ponto de vista.

Isso é particularmente feio quando falamos do meio acadêmico. Muitas vezes vejo professores e colegas se travestindo de imparciais e acima de preconceitos somente para justificar as visões mais absurdas e autoritárias.

Uma leitura hoje pela manhã me lembrou disso:

Brown professor continues debate over recovered memory

Resumidamente, uma dupla de professores que não acreditam em memórias reprimidas lançaram um desafio em 2006. O raciocínio deles era: Se memórias reprimidas forem uma doença que ocorre naturalmente, então deve existir algum relato antigo relacionado. Ofereceram um prêmio de US$1000 para quem fornecesse provas disso e um ano depois publicaram que nenhum dos 100 aplicantes atingiram os critérios do concurso, portanto, amnésia dissociativa não ocorre naturalmente e é uma síndrome cultural a partir do século 19.

Um outro pesquisador duvidou do resultado e pediu acesso aos dados. Depois de muita insistência a dupla do trabalho original admitiu que uma ópera de 1786 cumpria os critérios e que o prêmio foi dado a quem era de direito. Entretanto nenhuma retratação foi feita quanto ao resultado.

Sempre achei um ponto forte da ciência era a possibilidade de aceitar idéias novas quando as velhas não serviam mais, entretanto a dificuldade em admitir que estava errado está fortemente enraizada em algumas pessoas.


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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Descalço

Artigo recente na Wired fala de uma polêmica que eu nem sabia que existia.

Esqueça os solados de gel, molas e ar. Esqueça os tênis de material ultraleve que custam uma fortuna. Deixe os Manolos Blanics para lá. Aparentemente a última moda é andar descalço.

Muitos estudos apontam para uma certa vantagem em andar descalço. Africanos (que andam descalços) tem pés mais saudáveis que europeus (que andam calçados). Pessoas que usam tênis de corrida sofrem mais traumas decorrentes da atividade que aqueles que usam tênis vagabundos. Chineses (que usam chinelos a maior parte do tempo) tem menos casos de problemas de joelhos e tornozelos.

Apesar de não totalmente conclusivos os estudos dão uma certeza, calçados caros não vão te dar muita vantagem no longo prazo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Pílulas de ciência 2

Gordurinhas - Um trabalho publicado na revista Cell Transplantation mostra um novo uso para aquelas gordurinhas extra.

Tecido adiposo é rico em células precursoras multipotentes (células que podem diferenciar em outros tipos celulares). O grupo da Dra. Kacey Marra isolou células precursoras adiposas e mostrou que com alguma ajuda elas podem auxiliar na regeneração de nervos interrompidos.

Imagina que bom negócio? Remover um tanto de tecido adiposo e poder voltar a andar?

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Good news and bad for dad this Father's Day
- algumas descobertas sobre características do empacotamento do DNA do espermatozóide indica que o papel do pai no desenvolvimento de um embrião saudável pode ser menos passivo do que se imaginava.

sábado, 13 de junho de 2009

Mandar mal

Ao contrário do que o bom senso parece indicar, mandar mal na hora H pode aumentar as chances de sucesso reprodutivo. Bem, pelo menos se você for uma mosca.

Cientistas viram que a mosca macho da espécia Drosophila montana fica copulando por mais tempo do que a fêmea gostaria e isso aumenta o intervalo até a fêmea aceitar um novo parceiro. Conseqüentemente o sucesso reprodutivo do macho grudento.

http://www.eurekalert.org/pub_releases/2009-06/bc-mfn061009.php

terça-feira, 26 de maio de 2009

Conexões

QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade


Felizmente para mim ainda tem muito o que descobrir em neurociências.

A memória muitas vezes se comporta como o poema de Drummond, um pedaço de informação pode puxar uma trilha de outras que nunca sabemos onde vai parar.

Durante um concurso me perguntaram sobre neurotransmissores que não seguem a liberação sináptica.

Ali, naquele momento de nervosismo eu só consegui me lembrar de neurotransmissores gasosos, NO e CO.

Depois da prova uma série de informações que estavam "represadas" pularam para consciência. Os neurotransmissores lipossolúveis.

Neurotransmissores que "dissolvem" em gordura passam direto pela membrana e portanto não são estocados ou liberados por vesículas sinápticas. Mas o legal é a trilha de informações que se formou na cabeça puxando essas informações, foi mais ou menos isso.

1) Lembrei de ter lido a descoberta de um ligante endógeno do receptor de canabinóides.
We're all potheads deep inside - Simplificando, nós fabricamos nossa própria maconha.

2) Isso puxou a lembrança do bolo de maconha.
Para fazer o bolo a maconha é misturada com a manteiga, como o THC (substancia ativa da maconha) é lipossolúvel ela passa para a manteiga que pode ser usada na produção de alimentos que dão barato.


Resultado:

3) GAH! Canabinóides são lipossolúveis e possuem um receptor próprio.

E foi mais ou menos isso. Queria que essa história fosse sobre como a maconha salvou minha prova, mas vai ter que ser só um comentário sobre como a memória deixa passar as coisas nos momentos mais críticos.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Como os piratas salvaram a arqueologia

Quando o eBay e outros sites de leilão eletrônico apareceram, a comunidade de arqueologistas ficou de alerta, receosa que a facilidade de comercialização aumentasse o roubo e depredação de sítios arqueológicos.

Alguns anos decorridos esse efeito está sendo avaliado. O arqueologista Charles Stanish da UCLA reporta que realmente sites como o eBay alteraram completamente o comércio de relíquias, mas de uma maneira inesperada.

Ao fornecer uma área livre de comércio de antiguidades e relíquias, o eBay realmente aumentou a demanda por esses itens, mas ao invés de aumentar a pilhagem de sítios arqueológicos o que aumentou foi a produção de cópias. Comunidades inteiras que antes viviam da coleta de itens antigos e raros direcionaram suas atividades para a cópia desses itens.

Em paralelo o aumento da oferta de cópias no mercado (e da qualidade das cópias) deixou os colecionadores mais cautelosos.

Quando Charles Stanish começou a observar antiguidades no eBay ele estimou em 50% de cópias, 5 anos depois, 95%. Com a melhora das técnicas de falsificação hoje ele não consegue dizer com certeza o que é cópia e o que não é, mas na avaliação dele como especialista, 30% são cópias óbvias, os outros 70% ele não sabe dizer.

Hoje a tecnologia para fazer falsificações já está melhor que a tecnologia para identificá-las e quem quer correr o risco de comprar um autêntico vaso chines por $50000 só para em alguns anos a tecnologia melhorar e descobrirem que é uma falsificação.

E olha só a pirataria salvando os sítios arqueológicos.

domingo, 3 de maio de 2009

A culpa é do macaco

Eu recomendo fortemente aos interessados em ciência com inglês razoável que escutem os podcasts da Scientific American. Em especial peguem as séries de 60 seconds of science. São programinhas de aproximadamente 60segundos com alguma história relacionada com ciência.

Pois bem uma das últimas que ouvi é que um empresa chamada DND imports está fazendo um recall do brinquedo, Dinosaur Play Sets:Dinosaur Era 2 Hunting Dinosaur

Aqui uma imagem do brinquedo:



Como podemos ver o brinquedo inclui um dinossauro, o caçador, algumas árvores, um helicóptero, armas e um macaco. Não sei qual é a história, mas não é um bando que costumamos ver na mesma cena. E o culpado do recall é o macaco, aparentemente a tinta utilizada tem uma quantidade de chumbo muito acima do permitido.

O que nos leva a questão: O que o macaco está fazendo ali?

Dinossauros e macacos não viveram na mesma era, logo o caçador deve ter levado o macaco com ele. Qual a função do macaco? Carregar as armas? Pilotar o helicóptero?

Tá bom, tá bom, é difícil criticar brinquedos quando meu favorito durante a infância foi um tubo de nívea da minha mãe. Hoje em dia vou à farmácia e vejo que não se fazem mais tubos de nívea como antigamente.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Louro não quer biscoito...louro quer rebolar!

Um trabalho recente mostrou que alguns animais são capazes de dançar.

Até ai você deve ter lido e falado "Dããã! Meu cachorro dança" pode até ser verdade, mas ele não tem GROOVE. Cientistas avaliaram como alguns animais "dançavam" e verificaram que pássaros, em especial os periquitos, conseguiam seguir a música, alterando seus "passos" para sincronizar com a batida.



Então o trabalho fez um levantamento de vídeos no YouTube com animais dançando e a análise desses vídeos revelou que poucos deles eram capazes de dançar conforme a música. Desses a maioria eram periquitos e cacatuas, um dos vídeos era de um elefante!?

Parece ter uma relação entre ser capaz de imitar sons e a capacidade de dançar. Corroborando a hipótese, chimpanzés não dançam com ritmo.

Assim dançar com a batida parece ser uma habilidade de periquitos, elefantes e humanos (insira aqui seu comentário jocoso favorito sobre algum amigo que dança mal).

terça-feira, 28 de abril de 2009

Alergia

Estava ouvindo coisas por ai (Science Friday, meu novo podcast favorito) e teve umas informações interessantes sobre alergias.

Eu sou um daqueles que quase a vida toda sofreu com alergias por todos os lados. Por vários anos tive rinites constantes e anualmente pelo menos uma sinusite que precisava de antibióticos.

Agora as coisas interessantes.

1) Alergia é culpa sua. A alergia acontece quando nosso próprio sistema imune responde de maneira inadequada a um estímulo que é inócuo. Por isso que as pessoas tem alergias a coisas diferentes.

2) Alergias podem levar tempo para se estabelecer. As vezes temos a impressão que uma alergia surgiu do nada. O que acontece é que a tal da resposta imune foi incrementando a cada exposição ao alérgeno, as vezes levando 3-5 anos de exposição contínua para se estabelecer.

3) Alergia some? Às vezes some, mas infelizmente ninguém tem idéia de como isso acontece. Se a sua sumiu, considere-se um cara de sorte.

4) Apesar de ser uma doença que não mata muito as alergias, rinites, essas coisas, são número 1 quando o assunto é piorar a qualidade de vida. Pessoas com rinite tem uma percepção de piora de qualidade de vida pior que a de pacientes com câncer. Além disso, gasta-se mais com remédios anti-alérgicos do que doenças cardíacas.

A "hipótese da higiene": estudos epidemiológicos indicam que crianças que são expostas a ambientes mais "sujos" entre 0 e 1 ano de idade tem menos alergias que as outras. Por ambientes sujos entenda-se creches, fazendas, rua. Fico pensando se o amadurecimento do sistema imune e aquela coisa de reconhecimento de self tem a ver com isso. Mas de qualquer forma é legal pensar que criar o filho numa bolha não é bom.

Flotsametrics

Tênis perdidos, patos de borracha migratórios, esquimós mortos e a descoberta da América.

Parece uma série de coisas sem relação alguma, mas esses dias ouvindo o podcast do Science Friday, um programa da rádio NPR, descobri o que eles tem em comum.

Curtis Ebbesmeyer é o pesquisador entrevistado que a quase 40 anos estuda correntes marítimas e já faz um tempo tem usado como ferramenta lixo caído no mar.

Por exemplo, um carregamento de tênis perdido permitiu analisar uma grande quantidade de dados relacionando os pés encontrados. Outra que se mostrou uma ótima pra ele foi um carregamento de patinhos de borracha.

E o mais incrível que ele já encontrou foi um gigantesco tanque de cerveja... vazio, para tristeza geral.

Tem várias histórias legais, mas a mais divertida que achei foi a relação de Cristovão Colombo e esquimós mortos.

Pois bem, muitos sabem que Colombo foi salvo pela América, ele planejava alcançar as Índias e se não tivesse o continente americano no meio teria morrido na tentativa. O que menos gente leva em conta é que já se tinha um cálculo da circunferência da Terra e Colombo ignorou isso acreditando que era menor do que realmente é. Mas um fator determinante para Colombo decidir a viagem eram os "chinezinhos" mortos, de caiaque, que ele soube que foram encontrados em algumas praias da Europa.

Algumas vezes um esquimó que saiu para caçar no seu caiaque é pego por uma tempestade e se perde no mar. O pobre esquimó acaba morrendo preso ao seu barquinho e é levado pelas correntes. Colombo havia testemunhado um desses esquimós, que pela aparência ele acreditou que era um chinês. Pelo estado do corpo dava para supor que não estava morto a muito tempo, conclusão do Colombo: Se um "chinês" morreu no seu caiaque pouco tempo antes de chegar na Europa, então a China deve estar logo ali.

Às vezes tudo pode ser feito errado e ainda assim chegar no lugar certo.

Como disse uma conhecida, Colombo era um economista, quando saiu não sabia pra onde ia, quando chegou, não sabia onde estava e fez tudo isso com o governo pagando a conta.