domingo, 7 de março de 2010

Batismo em Lages

O sul em geral me trata bem. O mestrado em Porto Alegre foi das fases mais divertidas e produtivas da minha vida.

Tenho família em Florianópolis, então quando a Renata passou num concurso em Santa Catarina não houve discussão quanto a deixar Natal.

No meio do caminho a Re viu uma seleção para professor substituto em Lages. São umas 4h entre Camboriu e Lages, mas é razoavelmente perto e a vaga pode me dar alguma experiência didática que falta no meu currículo.

Passei na seleção e ai foi questão de começar os preparativos. Comprei a bicicleta dobrável com o intuito de me locomover de casa até a rodoviária em uma cidade, embarcar a bicicleta e quando chegar no destino é só desdobrar e ir pra casa.

Acontece que as aulas já começaram e eu estava atrasado. Precisava ainda arrumar um lugar pra ficar em Lages, internet, todas essas coisas.

Vi um apartamento pequenininho, mobiliado, perto da universidade, bem o que eu precisava. Fui alugar com medo, minhas experiências com aluguel até agora sempre foram de muita confusão.

Precisei de um comprovante de renda da universidade, saiu na hora. Opa!

Chegamos pra alugar, entregamos os documentos e pedi urgência.

Faremos a vistoria amanhã. Passa no fim da tarde pra pegar a chave. Aproveita já passa na Selesc e pede pra ligarem a luz que pode demorar uns dias.


Na Selesc, entreguei o documento, endereço e a moça avisou:

Leva de 2 a 5 dias úteis para instalar. Mas as vezes tem ficado pronto no dia seguinte.


No dia seguinte fui comprar coisas pra casa pra adiantar (roupa de cama, produtos pra faxina, água). Terminamos de comprar e almoçar umas 14h, decidi passar na imobiliária e o contrato já estava pronto. Assina tudo, pega as chaves e quando chegamos no apartamento, a luz já estava pronta pra usar.

Muito rápido, sem enrolação, to adorando isso aqui.

Voltamos pra Florianópolis passar o final de semana em família e hoje a tarde voltei pra Lages, testar a combinação rodoviária + bicicleta pela primeira vez.

A Re me levou até o posto rodoviário de São José, infelizmente quando fui tirar a bicicleta do porta malas a sacola ficou presa em alguma coisa e fez um rasgo na lateral.

Apesar da empresa de ônibus falar que não, o motorista faz uma parada na entrada de Lages que fica bem mais perto da minha casa, mas pra descer tinha que ficar com as coisas em cima. A bicicleta é um pouco trambolhuda, mas o ônibus tava meio vazio então ela foi ao meu lado.

Dormi a maior parte do caminho e pegamos um pouco de chuva no caminho. Ao desembarcar não estava chovendo, desdobrei a bike e pra minha surpresa quando estava no meio do caminho despencou um puta toró. Fiquei encharcado. Cheguei em casa molhado, com frio e preocupado se as minhas coisas estavam bem.

Felizmente tirando uns papeis molhados tudo parece em ordem e andar na chuva é bem divertido (depois que a preocupação com as coisas passou deu pra sacar o quanto tinha curtido o passeio).

Troquei de roupa, enxuguei o que deu, instalei o chuveiro (ainda não estreei), comi um sanduíche de peito de chester com mostarda e fiquei um bom tempo brigando com o 3G até que ele estabilizou e consegui conversar com as pessoas pelo Skype, avisar que a viagem foi tranquila e estou em casa (uma delas pelo menos).

Amanhã dou minha primeira aula como professor colaborador (substituto) e estou com o estômago reclamando e arrepios de tempos em tempos. Fico tentando me convencer que é comida inadequada e frio, mas finalmente estou deixando de ser aluno e passando para o outro lado da força.

Estreia na sala de aula amanhã.

sábado, 6 de março de 2010

Mico do Ronaldo?

Outro dia vi na TV o comercial do Guaraná Zero com a proposta de fazer o Ronaldo pagar um mico.



Primeiro achei a idéia engraçada, mas dai pensei em que mico poderíamos escolher para o Ronaldo.

1) O Ronaldo poderia ter que fazer um corte de cabelo ridículo:



hmmm. Não.

2) Então ele poderia ter que sair com um travesti.

Travesti André Albertino exibe o documento do carro de Ronaldo que ficou com ele

é... bem... então que tal:

3) Ele tem que dar nome de palhaço pro filho.

Veja – O primeiro vai se chamar Ronald. Por que não Ronaldo?
Ronaldo – Não queria que fosse igual ao meu nome, queria que fosse parecido. Não queria fazer como o Romário, que botou Romário, Romarinho... E também porque a Milene gostou do nome. A gente come muito no McDonald's, e tem o Ronald McDonald lá. Aí, ficou Ronald.



Não tem jeito, o Ronaldo conseguiu, ele é imicável. O cara já pagou tudo quanto é mico possível. Então que tal ao invés de pagar um mico idiota qualquer (que ele já faz de graça) o cara não larga mão de promoção idiota e doa o cachê dele para alguma causa social que ele acredite. Sabe, ajudar as pessoas que o dia a dia é um mico só.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Viva a liberdade!!!


Por necessidades trabalhistas decidi contratar um serviço 3G. Meu primo falou bem da Claro aqui em SC então foi ele mesmo.

Primeira coisa na loja foi me certificar que se algo desse errado teria 48h para devolver o produto. Apesar disso constar do código do consumidor é bom que o atendente passe por escrito pra facilitar evitar problemas.

Depois de conversar um pouso sobre os planos fiz a pergunta fatídica:

"Roda em Linux?"

Ela nem desconversou: Não roda de jeito nenhum. Nenhum modem 3G roda em Linux.

Fiquei cabreiro, mas é uma necessidade nessa nova fase, então fechei negócio. Plano de 1Gb, que pode aumentar o limite caso precise no futuro.

Cheguei no hotel e fui instalar o dito cujo no windows vista. Ele entra e procura os drivers, depois de um tempo instala o programa da claro, entra no programinha e... NADA.

A luz tava azul, então ele encontrava a rede 3G, mas por algum motivo, nada do Vista conversar com o modem. Reinicia, pluga, despluga, roda o programa tudo de novo, reinstala. Finalmente rodou.

Fui direto ao google procurar por "3g claro ubuntu". Depois adicionei ainda o modelo do modem Huawei E156B. Resultado da busca, esse modelo tem suporte linux.

Reiniciei o notebook e entrei no Ubuntu. No ícone de conexão de rede tinha a opção de "Banda larga móvel disponível", entrei lá e ele perguntou: País? Brasil. Operadora? Claro. Confirma? Sim.

A luz ficou azul e cá estou navegando. Não só rodou no Linux, como foi muito mais fácil configurar. Adoro essa coisa de software livre.


Editado 03/03/2010 22:00

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dahon Curve D3



Não é arte moderna, nem sofri acidente. Esse é o meu novo brinquedo/utilitário. As novas definições nas minhas atividades trabalhistas vão gerar a necessidade de viajar entre duas cidades com certa frequência.

Com um pouco de sorte poderei andar de bicicleta em qualquer uma dessas duas cidades, ai veio a idéia de levar minha bicicleta comigo. Tinha lido por ai sobre bicicletas dobráveis, mas nunca fui atrás dessas coisas.

Como a necessidade surgiu corri atrás e rapidinho me informei sobre marcas e modelos. Marca a única que me sugeriram sem ressalvas foi a Dahon. Quanto aos modelos estava na dúvida entre a Curve D3 e a Eco D3 (mais barata). O test drive e uma geral nos extras da Curve na FreeCycle me fizeram decidir por ela mesmo sendo mais cara que a Eco.

A bicicleta desdobrada fica assim. Dá pra usar o sofá atrás como referência.

O plano é: Pegar minha mochila, ir de bike para a rodoviária, pegar ônibus para outra cidade. Na outra cidade, desdobra a bicicleta e pode ir montado nela pra casa.

Uma coisa ainda incomodava, apesar de desmontada ela ficar bem legal estava com medo de não deixarem embarcar, arrumar alguma confusão. Então precisava de uma capa.

Fui atrás de alguma loja de embalagens, mas domingo é difícil encontrar essas coisas. estava pensando em comprar tecido e mandar alguém costurar, ai minha mãe entrou na história.

Ela lembrou que tinha umas cortinas velhas que ia jogar fora e se ofereceu pra montar a sacola pra mim. Duas opções de estampa: bambu ou smurfs. E foi assim com muito suor e trabalho da mama que consegui uma linda sacola para carregar a bicicleta nos momentos que ela não estiver me carregando.

Bicicleta dobrada e ensacolada.

Como vai ficar carregando a bicicleta na sacola.

Ainda bem que eu não preciso pagar a mão de obra, médica costureira deve cobrar uma nota por hora. Ficou bem legal e como é reaproveitamento de pano é até ecológica. A mãe acha que não vai aguentar muito, já que o pano é bem velho. Bem, eu vou aproveitar enquanto der e até ela se desfazer.

EDIT: Quanto a bicicleta, no mesmo dia que comprei fiz o meu real test drive. Coloquei no porta malas de um amigo que me deu carona até a Henrique Schaumann. De lá fui com a Dahon até em casa, quase 9km de São Paulo, com muita subida e buraco.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Carnaval

Carnaval é uma ótima oportunidade para fugir do mundo. Andava decidido a passar o carnaval em São Paulo aproveitando que a maioria da população saiu da cidade e quem sobrou estava se apertando no sambódromo.

Entretanto surgiu uma prova, a Re foi pra Bauru (pra me deixar sozinho estudando) e São Paulo pareceu bem chata. Uma fuga um pouco diferente foi seguir para o sítio da minha tia e passar uns dias de carnaval com a família no mato.

Curiosamente (ou nem tanto) sem internet e televisão por perto meu estudo rendeu muito mais. Outra coisa interessante foi perceber o quanto minha visão da bioquímica mudou com os anos.

Por um lado existe um fardo, eu tenho perfeita noção do quanto falta ler e, por já saber muito do que se passa, algumas coisas são bem árduas para estudar.

Entretanto, essa nova leitura permite entender como as coisa se encaixam muito melhor que a primeira vez que estudei.

Muitos cursos de bioquímica que passei apresentam a matéria como caixinhas, Glicólise, Ciclo do ácido cítrico, Via das Pentose fosfato. A minha bagagem atual ajuda a ver melhor como essas caixinhas se conectam, como mexer em um pedaço tem efeito em todo o resto, como a bioquímica é bonita.

Será que alguns professores que eu tive falhavam em passar isso, ou simplesmente eu era jovem demais e sem o conhecimento necessário, para apreciar a beleza dessas reações que chamamos de vida?

Nas horas vagas entre confabulações, conversas e comidas tive tempo para cumprir meu papel de babá com PhD e ainda gravar alguma coisa no processo.

Para os que só aparecem aqui pra ver o Gabriel, aqui vai um videozinho dele, meio mal gravado, mas fazer o que, a câmera estava apoiada no sofá enquanto brincávamos.



Tem outro aqui, produção artística em grupo, eu no vocal e coreografia das tias da escolinha.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Man of wealth and taste

E agora, é o meu prazer apresentar, o mundialmente famoso, meu sobrinho, GABRIEL OKIMURA KERR!!!




Ou como ele tem preferido, Ieiel Mumu Quéé.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Vencendo a Rainha de Copas

"It takes all the running you can do, to keep in the same place." - A Rainha de Copas em Alice através do espelho, de Lewis Caroll

Em biologia a hipótese evolutiva da Rainha de Copas pode ser determinada desta maneira: Para um sistema evolutivo, é preciso haver um desenvolvimento contínuo para manter a aptidão relativamente aos sistemas com o qual estão a co-evoluir.

Trocando em miúdos, uma vez que parte das pressões seletivas para evolução são outros organismos biológicos, quem para de evoluir é extinto.

No combate a parasitas uma arma importante é SEXO. Espécies que não fazem sexo não conseguem evoluir rápido o suficiente para combater parasitas. Curiosamente, o rotífero Bdelloid passou os últimos 30 milhões de anos sem fazer sexo e vai muito bem obrigado.

Um grupo pode ter desvendado como o rotífero consegue. A chave para a sobrevivência do rotífero na corrida da Rainha de Copas? Não jogar.

Normalmente se uma colônia do rotífero é infectada com o fungo predador, os rotíferos são extintos. Entretanto, o que descobriram é que o rotífero resiste à seca, ele tem mecanismos internos que permitem a anidrobiose, vida na ausência de água, podendo ser re-animado quando a água voltar.

Se conseguir ficar sem água por mais de 3 semanas o rotífero "escapa" temporalmente do predador, que não resiste tanto tempo desidratado.

Além disso o rotífero em anidrobiose é facilmente carregado pelo vento, enquanto seus predadores naturais, não. Dessa forma fugindo de predadores no espaço e no tempo quando dá.

Aqui tem um vídeo bacana que o Science Friday fez sobre a história, é em inglês: