sábado, 17 de abril de 2010

Sobrinho remoto

Com a distância ficou muito mais difícil arrumar vídeos do Gabriel para compartilhar com as pessoas. Estou tentando muito gravar vídeo e som da minha tela, pra poder capturar as peripécias dele pelo skype. Enquanto isso ainda não rola, aqui vão dois que meu irmão me mandou.





sexta-feira, 16 de abril de 2010

Como era mesmo?

Eu e a esposa organizamos um plantão de dúvidas ajudando os garotos da Casa do Adolescente em São Paulo com os estudos. Foi um tempo interessante e onde percebi uma coisa bem complicada: Eu esqueci como foi aprendido um monte de coisa.

Eu sei ler, escrever, fazer contas. Mas não lembro como raios me ensinaram isso. Pior ainda, não lembro como eu fui ensinado bioquímica. É complicado ter uma quantidade grande de conhecimento sobre um assunto e tentar transmitir parte dele.

Esses dias em aula coloquei uma questão sem resposta exata, era para os alunos bolarem hipóteses do que PODE acontecer dada uma certa situação. Foi engraçado perceber como a incerteza teve um efeito estranho.

São cursos de engenharia e talvez estejam acostumados a respostas exatas, mas engenharia é o curso de resolver problemas, de arrumar aplicações práticas para o conhecimento e quando lidamos com processos naturais, as respostas não são fáceis.

Entendi a reação de alguns alunos como se a falta de resposta única tornasse todas as respostas erradas. Incerteza é diferente de erro. Incerteza nos leva a avaliar as possibilidades e escolher a melhor opção.

Será que eu consigo ensinar os alunos a ficarem sem saber?


PS: Toda vez que entro em sala lembro da Granny WeatherWax da série Discworld: "Não sou boa nessa coisa de ensinar, mas fica por perto que você deve acabar aprendendo alguma coisa."

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Maldito casco azul!



Hoje por recomendação de outro webcomic, encontrei o "Boxer Hockey", a tirinha acima é deles. Se você não joga Mario Kart ela pode não fazer tanto sentido, mas a idéia de como estou me sentindo hoje é bem fácil de tirar dali.

Lages em geral tem sido muito legal. Os colegas, os alunos, o micro-apartamento. Até hoje cedo a única reclamação que tinha era de ter tomado chuva e estragado meu celular. Mesmo isso era culpa minha, ao invés de tomar chuva eu podia ter tomado um táxi e ai ainda teria o meu aparelho.

Sou normalmente muito envergonhado e sem querer, virei uma sensação por aqui. Vou de bicicleta para todo lado e vivo ouvindo gente comentando da minha bicicletinha. A garotada do quarteirão já me parou para olhar e hoje o zelador do prédio perguntou se eu me importava de mostrar a bicicleta pro filho dele.

A dona do Café que vou lá no centro me deixa "estacionar" dentro da loja e já se ofereceu pra cuidar da bicicleta enquanto eu faço minhas compras no centro.

Me inscrevi para o concurso de professor efetivo aqui no CAV, estava bem feliz com a possibilidade de passar e a Renata se mudar pra cá. Hoje uma professora me avisou que minha inscrição foi indeferida.

O aviso não foi sacanagem, ela avisou para que eu conseguisse entrar com recurso. Tenho que fazer isso até amanhã. Tremendo balde de água fria.

Pra piorar andei fazendo umas contas: Duas vagas nesse concurso para efetivo são para Química e Bioquímica. Isso quer dizer que semestre que vem terão 8h a menos de aula para o prof substituto de bioquímica (aka. EU). Com 8h a menos meu salário vai pra ~R$1000.

Bem, R$300 de aluguel, R$500 de passagens entre Camboriu e Lages, não sobra muito. Hora de virar dono de casa em Camboriu e voltar a procurar concurso.

Não levem a mal, não é que eu estivesse com certeza que ia passar aqui, mas sim que estava muito esperançoso da esposa e eu finalmente nos arrumarmos em algum lugar, podermos mandar a mudança encalhada em Natal vir e ter outra vez a nossa casa. Além de poder voltar a pesquisa e outras atividades, algo que nessa procura por concursos, não sobra tempo algum pra fazer.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sonhos

Acredita-se que os sonhos sejam uma maneira do seu cérebro organizar as informações obtidas durante o dia. Catalogando, relacionando e reativando áreas para formar as memórias, limpar a casa para o dia seguinte.

Sonhamos várias vezes por noite, mas em geral só conseguimos lembrar de um sonho quando acordamos logo depois dele.

Sonhei várias vezes essa noite e acordei várias vezes assustado ou atormentado. Noite agitada essa.

Sonho 1:
Sonhei que minha mãe vinha conversar comigo e eu evitava a conversa, não queria contar para ela que me sentia responsável pela morte do meu irmão (meu irmão tá vivo, viu?) No meu sonho um homem me ameaçou para que eu guardasse um rifle em casa. Eu fui tentar descobrir o que se passava e persegui o homem depois. Quando finalmente consegui encontrá-lo ele me falou:

"Você não acha que deveria estar salvando a vida do seu irmão ao invés de me perseguir?"

Naquele momento, uma briga envolvendo o rifle e o fato de eu não estar em casa terminaram com a morte do meu irmão.

No sonho tudo isso já tinha acontecido, eu fugia da minha mãe, pois não conseguia contar a história pra ela, mas eu estava contando tudo que aconteceu para alguma amiga.



Acordei (4:30) me sentindo muito mal e assustado. Acendi a luz e fiquei algum tempo esperando o sono voltar pensando se devia levantar ou não. Depois acabei me escondendo nas cobertas e apagando de novo.

Sonho 2:

Sonhei então que estava dando prova para uma turma da faculdade. No meio da prova eles me devolveram com desenhos e rabiscos, acusando que eu não tinha ensinado nada daquilo.

A discussão tava indo sobre como iria ser feito, quando alguém me acertou um golpe por trás da cabeça. Eu reagi e a briga foi até que deixei o outro desacordado.
(não é normal eu ganhar brigas nos meus sonhos, em geral eu sou um lutador péssimo nos sonhos) Estava discutindo ainda sobre o que seria feito e sobre como eu deveria ter chamado a coordenação ao invés de brigar de volta...


...quando acordei de novo (5:30). Levei um tempo pra reorientar e lembrar que comparado com o sonho a prova que apliquei na 4a a noite até que foi muito tranquila. Peguei no sono mais uma vez, o relógio toca às 6:30 então melhor aproveitar mais um tempinho de sono.

Sonho 3
Fui convidado por uma turma de alunos a ir pra praia. Nos dividimos nos quartos, fui pegar minhas coisas pra tomar banho e dentro da minha mala só tinha galochas.

Pensei no que teria acontecido e nem lembrava de ter feito as malas mesmo.

Depois o resto dos alunos começou a chegar, pedi uma bermuda emprestada para um e pouco depois
o relógio tocou.


Acordar tomar café e de volta pra realidade.

domingo, 4 de abril de 2010

Trilha sonora

A Renata é muito mais ligada em música do que eu, tem gosto musical melhor e um vasto conhecimento discográfico.

Uma coisa divertida é arrumar trilhas sonoras para momentos da vida. O doutorado teve várias.

"Every breath you take" do The Police é perfeita para orientadores - Every breath you take, every move you make, I'll be watching you. "Fuck Forever", Babyshambles, era uma sensação constante - I'm so clever, but clever ain't wise.

Tinha a trilha sonora perfeita para a monitoria: "Oliver's Army" do Elvis Costello - I'd rather be anywhere else but here today.

Uma amiga que está numa fase de trabalho insana, lembrou de "Hard Days Night", The Beatles (dispensa trechos), mas me parece que tem embutida uma certa homenagem ao marido e filho.

Na fase mais complicada de trabalho em Natal, "Heavens Know, I'm miserable now", The Smiths, quase me fez chorar - I was looking for a job and then I found the job, Heavens know, I'm miserable now.

Por alguns momentos, quando passei na seleção em Lages, minha trilha pessoal poderia ser "Top of the world", Shonen Knife. E pra minha vida Lages-Camboriu "Roam", B52, parece apropriada. Ao me manter informado com notícias de meio ambiente para minhas aulas, "It's the end of the world as we know it", REM, me parece sombriamente adequado.

Mas me parece que trilhas sonoras combinam mais com momentos dramáticos, quando a vida vai bem ela parece ter uma música própria que dispensa explicações.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Beija-flor

Hoje voltando do almoço aqui no CAV vi um beija-flor preso do lado de dentro do prédio. Não sei como ele entrou, mas estava batendo nas portas de vidro sem conseguir sair.

Fiquei um tempo olhando enquanto ele ia de um lado pro outro.

Subi pra minha sala meio deprê, do jeito que ia o beija flor ia morrer ali mesmo, já que o metabolismo desses bichos é acelerado e não tinha comida dentro do prédio.

Cheguei na sala, liguei o computador e vinha uma imagem na minha cabeça do bichinho morto no saguão de entrada do CAV.

Peguei meu casaco, desci, joguei por cima do beija flor e arrastei ele pra fora. Deu um medão de ter matado o bicho, mas assim que abri o casado ele disparou pra fora.

Ninguém viu, nenhuma grande lição aprendida ou mérito ganho, mas tô me sentindo bem como a muito tempo não ficava.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Professor Dan

Para os que já enjoaram de me ouvir falar que virei professor, só lamento, é disso que minha vida se trata ultimamente. O tempo que não estou dando aula, estou preparando aula ou corrigindo coisas da aula. Se sobra alguma coisa é pra estudar prum outro concurso de professor, dessa vez de efetivo.

Apesar do tom ocupado, estou curtindo muito a experiência e vejo como é diferente a abordagem de cada um. Eu me sinto aleijado se não tiver um data show comigo, quando preciso uso a lousa, mas meus desenhos e garranchos não ajudam muito.

Tem um professor que dá aula antes de mim que faz uma lousa linda, aula de biologia molecular, eu fico impressionado.

Hoje fui motivo de gozação (bem humorada, creio eu sem maldade) pois fiz um experimento em sala de aula e para isso precisava de um balde e detergente. Onde já se viu professor andando por ai com um balde d'água e um frasco de detergente?

Foi bem divertido, com a turma maior eu usei a câmera do laptop para transmitir a imagem pelo datashow. Uma aluna segurou o computador em cima do balde.

A aula era de lipídeos, quis exemplificar a organização dos lipídeos e usar como gancho para estrutura de membranas. O experimento é assim (faça em casa se quiser):

1) Balde, bacia ou vasilha, de preferência de cor escura.
2) Coloque água (não precisa encher, até a metade tá bom).
3) Jogue na superfície farinha ou amido, eu usei pó de giz.
4) Pegue algo pequeno, lambuze a ponta com detergente e encoste no centro da superfície.